sábado, 25 de agosto de 2018

Novo tudo

Já há algum tempo sem escrita. A inspiração agora vem e vai num áudio pruma amiga mais próxima; num e-mail saudoso prum amigo mais longe; ou talvez num bate-papo na cafeteria do trabalho. E assim a energia da fala se escoa, vai embora, assim como veio, e tudo começa de novo.

E, por falar em começar de novo, daqui, tudo novo. Vic e eu terminamos nosso livro. Aquele, sabe, que não é de papel, mas deu história  uma das boas. O guardamos numa gavetinha, com muita gratidão por cada frase que escrevemos. E as vezes vamos lá na gaveta acessar as memórias.

Que importante ter vivido esse pedaço da vida com ele, penso eu. Quase uma década, uma filha, dois gatos, um pé de feijão no pote.

E aí tem o agora. De cá, fora da gaveta, eu. Pra além disso tudo. Eu, mirando minha vida sozinha novamente, num experimentar de uma individualidade que eu já não sabia mais onde começava e terminava. Um resgate importante do eu, do espaço, da privacidade, da responsabilidade, da sexualidade. 

Desde então, meu espelho sou eu. E eu não quero mais o que eu já quis. Não me importa mais o que já importou.

A cabeça mudou, o corpo idem. Meu novo corpo me incomoda, minha cabeça me trava. E destrava de novo, e assim vou fazendo meu cérebro dançar entre o que importa ou não, o que aprendi e o que consigo apreender.

Algum grisalho nasce aqui e acolá, ainda bem devagar.
Eu aprendi a meditar.
Hoje eu sei respirar.
Melhor.

E me sinto com sede. De gente, de conversas e diálogos malucos, de saraus, de vazio, de presença. De mim. Que sede que eu tava de mim.

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