quinta-feira, 10 de setembro de 2015

De volta ao passado I

Vocês sabem: antes de ficar grávida, eu tinha outra ideia do que estaria fazendo em 2015. Provavelmente, trabalhando além do horário, bebendo dois copos de vinho por noite, e pensando sobre decisões que eu precisava tomar e na disciplina que eu deveria ter para conquistar x ou y.  

Tudo matutado e procrastinado enquanto o efeito do vinho e o episódio do próximo seriado meia boca se apresentavam à minha frente.

Também estaria planejando uma viagem nostálgica de retorno à Londres - viagem que aconteceria ao fim do meu contrato de trabalho, sim ou sim, BUT NOT.

O script me trolou: vivi uma gravidez-surpresa, pari uma bebê linda, tive um puerpério de lascar, e fui muito feliz e ocitocinada pra sempre. Larguei as noites de vinhos e seriados por um tempo. Só não me escapuliu a vontade de viajar.

Quando Penélope completou dois meses, uma frase, vinda de uma amiga, ecoou algum tempo na minha cabeça: “é melhor viajar com ela enquanto ela tá bem pequena, depois fode”.

“Balela” – concluí. Parecia complicado demais.

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Eu morei em Londres em 2008. É claro que, quando vc mora num outro lugar, vc leva consigo todo o tipo de memória. Eu tinha recordações aos montes, até pq a viagem modificou minha vida.

Desde que voltei, há 7 anos, sonho com as ruas decadentes de lá. Há uns 3, a vontade de voltar e rever todos e tudo ficou mais latente. Uma semana antes de saber da gravidez, já comovida pelos hormônios, chorei após um desses sonhos e bati o martelo: mandei avisar à terra da rainha que, na metade de 2015, eu estaria lá, enfim.

Após isso, descobri que esperava um nenem e blá blá blá. Tem um enredo. Em algum momento dele, me senti verdadeiramente conformada em não fazer a viagem. E, após nascimento da baby, me sentia ocupada e feliz.

A bebê estava prestes a completar quuatro meses. Minha licença maternidade estaria finalizada em dois. Eu tinha organizado bem as finanças durante todo o ano e me sobrava uma graninha. Minhas próximas férias seriam obrigatoriamente usadas pra apresentar a bebê pra família peruana, não rolava de ir pra Inglaterra E EI, O QUE É QUE TA ACONTECENDO O QUE É QUE EU AINDA TOU FAZENDO AQUI?

Foi num segundo que tudo aconteceu. Me dei conta de que, ou eu iria pra Londres nos últimos dois meses de licença que me restavam ou eu NÃO IRIA AT ALL. O pacote tempo + dinheiro hábil não se apresentaria tão cedo novamente. Seria missão impossível, tipo pegar ou largar. Do contrário, enterraria perspectivas realistas de fazer, nesta década, minha viagem de volta à capital inglesa.

Pois bem, o desafio tava dado. Olhei pra minha filha, ela olhou pra mim. Ela não entendeu nada, eu captei tudo. Comprei as nossas passagens 5 dias depois. Meu companheiro não iria, estaria trabalhando, eu era oficialmente maluca. Esticaria a viagem a Portugal e Bélgica, pra visitar mais queridos, e fecharia aquilo de um jeito meio doido, mas memorável.

Felicidade, ansiedade, preparação.
Volto pra falar das viagens após algumas mamadas. 

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