domingo, 26 de abril de 2015

Um mês de Penélope

Hoje completamos 31 dias com ela. Ela, que tem os olhos do papai, o queixo da mamãe e o restante em pura especulação. Isso me leva lá atrás, até o dia do parto. Eu sempre quis escrever um relato de parto. Li e assisti a tantos deles para me preparar para o meu que queria também servir de ajuda para alguém, além de ter o registro.

Só não sabia o quão seria difícil fazer um que não beirasse o superficial. Tentei mesmo assim. Escrevi um texto chamado “Estreia de Penélope”, onde descrevo tudo aquilo que não esqueci nem quero esquecer.  Mas a escrita não revela a intensidade – nem significados – do que foi, pra mim, parir. Talvez porque os significados ainda não chegaram até aqui.

Poucos dias após o parto e eu já havia esquecido um monte dele. Os hormônios em baixa me levavam a um choro certo, a um sentimento de nostalgia em relação àquele dia e a um sentimento de preenchimento [e vazio, da barriga vazia] que jamais vou esquecer. Eu me sentia felizarda, como se acabasse de vivenciar uma experiência absolutamente psicodélica, visceral, intensa, dolorosa e tão inexplicavelmente maravilhosa. 

Não só o momento era incrível, mas eu olhava pra trás e via a gravidez já com saudades. As roupas do buchão tavam lá no armário e eu pensava: "putz, que experiência louca, meo". Eu me sentia com sorte de ser mulher, e era a ocitocina em pessoa, embalada em uma eterna good trip.

Era tão bom que eu ficava tentando reviver tudo em pensamento. Tentando entender como era possível estar sentindo tudo aquilo e, de novo, o que tinha significado parir. Hoje, já entretida também com a exaustão e as [apenas] iniciais dificuldades do maternar, acho que o significado daquilo ficou mais distante, ou fica dentro, pra dentro, e, um dia, quem sabe, eu o entenda. Ou talvez a resposta já tenha chegado em formato de mini-bebê e eu não tenha percebido.

Tudo que sei é que tem um mês de Penélope, um mês de good trips, doçura, felicidade e também de cansaço, vários momentos difíceis e heartbleaking com a amamentação  um baby blues doce, que foi embora e deixou uma pree e um vic tão diferentes... tão desconstruídos em tudo o que pensavam sobre como era ser pai e agir com um filho... Aprendemos muito, e ela também.

E, depois do mês mais intenso da vida e tanta preelixidade, eu quero deixar um registro pra Penélope.

Que ela saiba que olhar pra ela de manhã é motivo suficiente pra chorar de emoção. Que seu pai também não acredita que é nosso esse pacotinho de alegria matinal. Que ela é tão linda que iluminou tudo, e sei que amor maior não existe, mesmo.

É, o discurso-lugar-comum do "amor-maior-do-mundo" talvez exista. E parece ser aquele amor de dor no peito, de música romântica na rádio 105 FM, de nó na garganta. É tão intenso que dói. É um desdobramento do parto, doloroso, exaustivo, bonito.

Ela mudou nossas vidas, desde que soubemos que ela viria. Que ela saiba que eu já sei que tenho muito a aprender, e que eu tou aberta pras mudanças que se farão – muitas vezes de forma rápida e, às vezes, dolorosas pela velocidade que se fazem necessárias. É tudo parte daquilo que, com certeza, nos tornará melhores humanos. Tudo necessário e tudo heartbreaking. Nada romântico, mas deveras poético. 

Que tenha sido um mês doce para ela também. Que ela se adapte à vidinha aqui fora e eu aprenda sempre mais a estar preparada pra tudo o que ela precisar e, sempre, sempre, acalenta-la quando ela tiver medo. Que a gente saiba ouvir nossos corações e que, juntas, aprontemos muitas coisas divertidas nessa vida. 

Pepê, obrigada por ser essa experiência fantástica na nossa história e por nos mostrar caminhos que, até aqui, nada nem ninguém havia nos mostrado. Por nos fazer conhecer a verdadeira entrega – e saber que ela é o caminho.

Seja muito feliz e viva muito.

Mamãe 

2 comentários:

  1. Como disse alguém, é como se fosse Natal todos os dias. O mundo fica à flor da pele, o coração, simultaneamente dentro e fora do corpo. Enjoy and long live the three of you!
    Lots of love xxxx

    ResponderExcluir