sexta-feira, 6 de março de 2015

#vempenny

Foto de Jacqueline Lisboa
E por aqui vou me despedindo da gravidez de Penélope. Os nove meses chegaram e ela pode nascer a qualquer momento. Pois é, pois é. Quietinha do meu quarto, já cheia de sono e lenta como um pequeno pato-elefante, me lembro da quantidade de fases atravessadas até aqui, nesses 9 meses, hoje visualizadas em ângulo aberto. Elas me oferecem certa nostalgia, caros.

Não sinto ainda todas as ansiedades do fim da gravidez. Nem com o parto, apesar de uma dor aguda ali e aqui, sinalizando que ela precisa sair de mim de alguma forma, por alguma via, daqui até o fim do mês. Ouch. ;)

Quero conhecê-la e me emociono ao pensar no momento em que verei a carinha dela.  Mas até topo ter mais umas semanas para terminar trabalhinhos, pedir licença com sensação maior de dever cumprido, responder alguns e-mails antigos e... dormir.

Nas horas vagas, fico “retrospectando” tudo. Lembrando do primeiro trimestre, cheio de medinhos, ansiedade, enjoos sensacionais e reclamações bem descritas aqui e aqui. Refletindo sobre entrar no segundo trimestre, já cheia de esperança, com os enjoos assumindo papel coadjuvante, fato que sinalizava que a leveza viria e eu voltaria “ao normal”.

Nunca mais voltei ao normal, é claro. Engravidar é um caminho with-no-turning-back-point, e quem passa pelo "gestar" sabe bem da mutação, fisiológica e psicológica, pela qual passamos rapidamente. A vida bate aquilo tudo no liquidificar e dá pra você engolir. É bem assim. Muito louco, cheio de informação, absolutamente insano e diariamente incrível  se a mulher estiver em um contexto de acolhimento e de "querer", o que acabou sendo o meu caso.

O segundo trimestre foi momento de ser muito mimada. Momento de curtir a energia que ressurgiu pra cuidar do trabalho, organizar a casa pra receber a baby, voltar a ter energia para sair com amigos, mesmo mais reclusa, em geral. Momento de ver minhas prioridades ganharem outro rumo automaticamente, assim como muito do que eu pensava da vidona até aqui, simples assim.

Foi uma época de tranquilidade e choro fácil, sem motivos, só emoção. Eu, tão acelerada e ansiosa sempre, visitava muito esse outro universo, onde, pela baby, eu precisaria assumir um pouco mais meu lado silencioso e fazer um ambiente delicinha pra ela viver dentro de mim. Consegui, na maior parte do tempo, não prever, não adiantar e me permitir pensar só o hoje.

Leio disso que Penélope veio no momento certo, me resgatando de alguma loucura e ritmos acelerados demais de vida, e serei eternamente grata a ela por esse tempo. Êta, meses bons.

Pra que eu me sentisse assim, é claro, tive um quê de sorte também. Sorte de ter um companheiro parceiro, com quem pude dividir todo o paranauê dessa história. Sorte de ter uma família que a recebe desde o início com toda a felicidade e energia do universo, e que me apoia e já a ama mais que tudo. Sorte de ter sido bem acolhida em âmbito profissional, e tratada com toda a sensibilidade que se espera de um no século XXI. Sorte de ter amigos mais que incríveis que me cuidaram e aliviaram tanto durante toda a gestação.

Foi tudo fluído e calmo, em algum momento disso tudo. Pra fechar o segundo trimestre, a cereja do bolo: energia pra visitar o Peru, lugar que fará parte do que ela é e a encherá de referências culturais tão diversas como as do Brasil.

Dar uma passada no Chile, me despedir das mochilas por algum tempo, voltar e tocar a reforma da casa, preparar o quartinho, ver as roupas dela lavadinhas penduradas no varal da vovó com cheirinho de bebê. Ai, que gostoso! 

Gente, tou em motherland. Vesti a mama, fui possuída. Agora, não há medo, não há nada, só a clichê vontade de segurá-la, cheirá-la, cuidá-la, e buscar guia-la para ser uma pessoinha gente boa, que venha ao mundo para trazer sentimentos bons por onde passar. E rezando para que o universo a trate bem também.

Ganhei o terceiro trimestre, ganhei mais sono, mais peso, mais cansaço, mais idas ao banheiro e mais dificuldades para dormir. Há dois durmo sentada num clã de travesseiros estrategicamente postados por meu marido durante as madrugadas difíceis. Como ele é gentil. <3

E sigo.
Sentirei falta disso.

Mas... #vempenny. <3
Agora é que a coisa começa. Vem virar meu mundo de ponta cabeça!

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