quinta-feira, 10 de setembro de 2015

De volta ao passado I

Vocês sabem: antes de ficar grávida, eu tinha outra ideia do que estaria fazendo em 2015. Provavelmente, trabalhando além do horário, bebendo dois copos de vinho por noite, e pensando sobre decisões que eu precisava tomar e na disciplina que eu deveria ter para conquistar x ou y.  

Tudo matutado e procrastinado enquanto o efeito do vinho e o episódio do próximo seriado meia boca se apresentavam à minha frente.

Também estaria planejando uma viagem nostálgica de retorno à Londres - viagem que aconteceria ao fim do meu contrato de trabalho, sim ou sim, BUT NOT.

O script me trolou: vivi uma gravidez-surpresa, pari uma bebê linda, tive um puerpério de lascar, e fui muito feliz e ocitocinada pra sempre. Larguei as noites de vinhos e seriados por um tempo. Só não me escapuliu a vontade de viajar.

Quando Penélope completou dois meses, uma frase, vinda de uma amiga, ecoou algum tempo na minha cabeça: “é melhor viajar com ela enquanto ela tá bem pequena, depois fode”.

“Balela” – concluí. Parecia complicado demais.

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Eu morei em Londres em 2008. É claro que, quando vc mora num outro lugar, vc leva consigo todo o tipo de memória. Eu tinha recordações aos montes, até pq a viagem modificou minha vida.

Desde que voltei, há 7 anos, sonho com as ruas decadentes de lá. Há uns 3, a vontade de voltar e rever todos e tudo ficou mais latente. Uma semana antes de saber da gravidez, já comovida pelos hormônios, chorei após um desses sonhos e bati o martelo: mandei avisar à terra da rainha que, na metade de 2015, eu estaria lá, enfim.

Após isso, descobri que esperava um nenem e blá blá blá. Tem um enredo. Em algum momento dele, me senti verdadeiramente conformada em não fazer a viagem. E, após nascimento da baby, me sentia ocupada e feliz.

A bebê estava prestes a completar quuatro meses. Minha licença maternidade estaria finalizada em dois. Eu tinha organizado bem as finanças durante todo o ano e me sobrava uma graninha. Minhas próximas férias seriam obrigatoriamente usadas pra apresentar a bebê pra família peruana, não rolava de ir pra Inglaterra E EI, O QUE É QUE TA ACONTECENDO O QUE É QUE EU AINDA TOU FAZENDO AQUI?

Foi num segundo que tudo aconteceu. Me dei conta de que, ou eu iria pra Londres nos últimos dois meses de licença que me restavam ou eu NÃO IRIA AT ALL. O pacote tempo + dinheiro hábil não se apresentaria tão cedo novamente. Seria missão impossível, tipo pegar ou largar. Do contrário, enterraria perspectivas realistas de fazer, nesta década, minha viagem de volta à capital inglesa.

Pois bem, o desafio tava dado. Olhei pra minha filha, ela olhou pra mim. Ela não entendeu nada, eu captei tudo. Comprei as nossas passagens 5 dias depois. Meu companheiro não iria, estaria trabalhando, eu era oficialmente maluca. Esticaria a viagem a Portugal e Bélgica, pra visitar mais queridos, e fecharia aquilo de um jeito meio doido, mas memorável.

Felicidade, ansiedade, preparação.
Volto pra falar das viagens após algumas mamadas. 

terça-feira, 23 de junho de 2015

The penélopis

Nossa nova banda, composta por eu e Vic (voz e violão) e Penélope (dançarina).
Mas ela meio que quebrou nosso esquema.



domingo, 26 de abril de 2015

Um mês de Penélope

Hoje completamos 31 dias com ela. Ela, que tem os olhos do papai, o queixo da mamãe e o restante em pura especulação. Isso me leva lá atrás, até o dia do parto. Eu sempre quis escrever um relato de parto. Li e assisti a tantos deles para me preparar para o meu que queria também servir de ajuda para alguém, além de ter o registro.

Só não sabia o quão seria difícil fazer um que não beirasse o superficial. Tentei mesmo assim. Escrevi um texto chamado “Estreia de Penélope”, onde descrevo tudo aquilo que não esqueci nem quero esquecer.  Mas a escrita não revela a intensidade – nem significados – do que foi, pra mim, parir. Talvez porque os significados ainda não chegaram até aqui.

Poucos dias após o parto e eu já havia esquecido um monte dele. Os hormônios em baixa me levavam a um choro certo, a um sentimento de nostalgia em relação àquele dia e a um sentimento de preenchimento [e vazio, da barriga vazia] que jamais vou esquecer. Eu me sentia felizarda, como se acabasse de vivenciar uma experiência absolutamente psicodélica, visceral, intensa, dolorosa e tão inexplicavelmente maravilhosa. 

Não só o momento era incrível, mas eu olhava pra trás e via a gravidez já com saudades. As roupas do buchão tavam lá no armário e eu pensava: "putz, que experiência louca, meo". Eu me sentia com sorte de ser mulher, e era a ocitocina em pessoa, embalada em uma eterna good trip.

Era tão bom que eu ficava tentando reviver tudo em pensamento. Tentando entender como era possível estar sentindo tudo aquilo e, de novo, o que tinha significado parir. Hoje, já entretida também com a exaustão e as [apenas] iniciais dificuldades do maternar, acho que o significado daquilo ficou mais distante, ou fica dentro, pra dentro, e, um dia, quem sabe, eu o entenda. Ou talvez a resposta já tenha chegado em formato de mini-bebê e eu não tenha percebido.

Tudo que sei é que tem um mês de Penélope, um mês de good trips, doçura, felicidade e também de cansaço, vários momentos difíceis e heartbleaking com a amamentação  um baby blues doce, que foi embora e deixou uma pree e um vic tão diferentes... tão desconstruídos em tudo o que pensavam sobre como era ser pai e agir com um filho... Aprendemos muito, e ela também.

E, depois do mês mais intenso da vida e tanta preelixidade, eu quero deixar um registro pra Penélope.

Que ela saiba que olhar pra ela de manhã é motivo suficiente pra chorar de emoção. Que seu pai também não acredita que é nosso esse pacotinho de alegria matinal. Que ela é tão linda que iluminou tudo, e sei que amor maior não existe, mesmo.

É, o discurso-lugar-comum do "amor-maior-do-mundo" talvez exista. E parece ser aquele amor de dor no peito, de música romântica na rádio 105 FM, de nó na garganta. É tão intenso que dói. É um desdobramento do parto, doloroso, exaustivo, bonito.

Ela mudou nossas vidas, desde que soubemos que ela viria. Que ela saiba que eu já sei que tenho muito a aprender, e que eu tou aberta pras mudanças que se farão – muitas vezes de forma rápida e, às vezes, dolorosas pela velocidade que se fazem necessárias. É tudo parte daquilo que, com certeza, nos tornará melhores humanos. Tudo necessário e tudo heartbreaking. Nada romântico, mas deveras poético. 

Que tenha sido um mês doce para ela também. Que ela se adapte à vidinha aqui fora e eu aprenda sempre mais a estar preparada pra tudo o que ela precisar e, sempre, sempre, acalenta-la quando ela tiver medo. Que a gente saiba ouvir nossos corações e que, juntas, aprontemos muitas coisas divertidas nessa vida. 

Pepê, obrigada por ser essa experiência fantástica na nossa história e por nos mostrar caminhos que, até aqui, nada nem ninguém havia nos mostrado. Por nos fazer conhecer a verdadeira entrega – e saber que ela é o caminho.

Seja muito feliz e viva muito.

Mamãe 

sábado, 18 de abril de 2015

Estreia da Penélope

*Relato de parto

Às 3h40 do dia 25 de março, acordei com uma contração dolorida. Durante a gravidez, sentimos o que chamamos de "contrações de treinamento", que são, dizem, indolores. Era, então, novidade que elas viessem  doloridas, mas pensei que se tratava de mais um novo desconforto noturno comum de final de gravidez.

Aproveitei pra fazer xixi e voltei pra cama.

Penélope estava prestes a chegar, algo me dizia que a data de parto prevista seria bem pontual – mas, outra parte de mim, não. Pelo sim e pelo não, entendi que eu deveria mesmo é aproveitar cada dia final da gravidez conhecendo novos ambientes gastronômicos e caindo de boca nos waffles de canela da Camom

Mas veio a segunda contração dolorida. E a terceira. E a vontade de evacuar naquele horário estranho. Coração fez tumtumtum, algo tava como os livros diziam. Comecei a anotar a duração entre as contrações em uma agenda do Victor. Vinham de 20 em 20 minutos, o que significava frequência, o que significava BINGO! ;)

Já ciente de que Penny estava mesmo querendo nascer, tentei voltar a dormir, poupar energia pro que viria, mas a barriga pesava muito, as dores me acendiam, acabei não conseguindo. Vic dormiu e eu, muito calma, me joguei num banho quente e bem demorado e até consegui fazer uma depilação meia boca.

Preparei um cantinho na varanda/escritório, sentei na poltrona com um edredom, fechei as cortinas e dormi. Acordava a cada contração, que era bem suportável e rápida até aí, e dormia de novo.

Antes, coloquei o lépitopi nas coxas, fiz uma transação bancária, mandei uns e-mails.  Deixei de sobreaviso doula, obstetra, mãe.  Me emocionei ao avisar a senhora minha mãe. Ela tb. Listei umas coisas pra ela trazer. Dormi, dormi.

Ela chegou às 11h e eu já contava 7 horas de pródomos. Ela chegou carregando mil coisas, inclusive itens artesanais pra improvisar um treco daqueles que penduramos na porta da maternidade (e que eu não providenciei por achar bobagem). Passaria grande parte do TP em casa, não receberia visitas logo depois do nascimento, não fazia sentido ter um treco desses, mas ok.

Mami chegou empolgada, eu me senti levemente pressionada pela excitação dela e isso gerou um stop nas contrações. DAMN IT. Fiquei decepcionada.

Teria sido apenas um alarme falso? Tudo parou e agora só quando os deuses quiserem? Oh, no.

Quase três horas depois, após almoço, massagens nas pernas e mordidão no bolo de laranja com cobertura de leite condensado e canela da dona Clarice, as contrações voltaram.

Não apenas voltaram como voltaram mais fortes. A partir das 14h, vinham de 10 em 10 minutos, intensas. Eu começava a buscar a respiração pra aliviar. Às 16h, a coisa começou a apertar e as dores foram ficando bem monstrinhas. Às 17h eu comecei a me contorcer. Fui tomar outro banho, o que pareceu acelerar as contrações de 10 pra 7 em 7 minutos. Me recolhi no quarto, quis ficar só.

Meu pai e irmão apareceram, o que eu não queria, porque não me sentia a vontade com a ideia do meu pai, principalmente, me vendo “sofrer”. Ele parece durão, mas é coração mole, e poderia me receitar uma novalgina no desespero. Er.

Mesmo assim, ele foi lá no quarto marcar presença, me viu mordendo um travesseiro, tentando segurar o grito perto dele. Não trocamos uma palavra, ele entendeu tudo. Voltou pra sala.

Me irritei com a movimentação que eu ouvia, chamei minha mãe, pedi que todos fossem embora pra que eu pudesse me sentir mais à vontade e focar. Sem foco, a dor vinha muito forte.

Às 18h parei com o whatsapp e liguei pra minha doula, Elisa Lorena, pessoa super que topou me doular meses antes, no início da minha gravidez. Eu já alucinava de dor e pedi que ela me encontrasse direto na maternidade, pois eu achava que tava acontecendo rápido demais.

Daí começou a divina comédia pra sair de casa. Sai mãe pra buscar o próprio carro no estacionamento lááá fora, sem avisar que era lááá fora. Fica marido preparando o que levar. Ele dá o sinal de que tudo está pronto e você, tonta de dor, toma fôlego enquanto a próxima contração não vem e tenta encontrar um chinelo para descer o elevador.

Cabelos loucos, roupa horrorosa, quem liga? Meus planos de parir linda já eram. Entramos no elevador. Eu suava frio, fomos parar na garagem, no subsolo. MAS, PERA. O carro da minha mãe estaria no subsolo ou fora do prédio? Não há tempo pra pensar. Victor sai do elevador pra procurar a sogra na garagem. A grávida fica no elevador sozinha, o elevador se fecha e vai pro térreo. Rezo pra que nenhum vizinho entre no elevador e me veja naquele estado, ou envolveria o SAMU no cenário, certeza.

O elevador se abre. Eu o travo enquanto a contração não passa, e, assim que passa, sacudo a cabeleira e sigo cega e contorcida de dor até a frente do prédio, onde acho que minha mãe estará nos aguardando. Me jogo no banco de passageiros e tenho outra contração enquanto o marido chega na sequencia e se joga junto.

E as coisas! Tem as coisas.  Durante um trabalho de parto ativo vc não tem lá muita condição de pensar, então espera que pensem por você. Mas todo mundo fica preocupado porque sabe que sua dor é tamanha que vc não tem condições de pensar, então param de pensar também.

Chegamos à maternidade sem minha bolsa e documentos, inclusive carteirinha do plano de saúde, que pagaria a internação. Sem falar da pasta com papeis que documentavam toda a gravidez e tudo sobre a saúde da Penélope. Er. Ao menos lembramos dos chocolates e da malinha cheia de roupinhas da Penny. <3

Internação resolvida, fomos pra sala de parto humanizado, eu, Vic, mãe, obstetra Ju e Elisa Doula.

Lá, eu já não sei dizer bem o que aconteceu. Fiz um vídeo que está aqui [pergunte-me a senha aqui]. Nele, registro poucas cenas, mas que marcaram e me lembram mais ou menos algumas sensações e momentos. Tudo foi gradualmente sendo apagado da minha memória diariamente e tive que fazer algum exercício para lembrar.

Foto de Elisa Lorena Doula

Hoje, 23 dias após o parto, lembro-me de terem me oferecido chocolate e de eu ter sentido ânsias de vômito ao mastigá-lo. Lembro que quis muita água, quando lembrava da sede. Lembro que minha doula preparou uma sala linda, que eu não tinha planejado antes. A água que caia na banheira estava quente. As luzes, apagadas; a banqueta, preparada; as velas, acesas; a música era instrumental e zen.

Eu vinha e saia de mim. Lembro de ter entrado na banheira e ter sentido muita, muita dor. Saí dela em menos de 5 minutos e, com isso, descartei o sonho de ter minha filha na água.

Lembro de ter ficado parte do parto em pé, segurando todo o meu corpo pelo braço, em uma barra de ferro. Lembro que, ao olhar pra baixo, via as mãos de alguém limparem o sangue que escorria sem parar entre as minhas pernas enquanto eu tratava de vocalizar a dor. Eram as mãos da minha mãe. Eu via o chão, onde gotejavam meu suor, meus líquidos, meu sangue. Tava escuro, era sombrio, mas não era mórbido. Era doloroso e era intenso. Eu sumia, as pessoas sumiam. E tudo voltava, eu voltava, elas voltavam. E sumíamos de novo.

Lembro de ter feito alguma piada em algum momento lúcido, arrancado gargalhadas de alguéns. Lembro do Victor me dizendo “vai, faz força, faz força”, antes mesmo da obstetra me pedir pra fazer força, e de eu ter pensado em dizer-lhe um palavrão, porque eu não queria fazer força coisa nenhuma.

Lembro de, já com 9 centímetros de dilatação, ter me sentido verdadeiramente cansada, dolorida, “abandonada” ao tempo. A dor era mais forte do que os relatos que eu tinha lido diziam, eu achei que era hora de pedir a temida analgesia, que nunca veio. Perdi um pouco do foco, me travei, me senti infantilizada, frágil, mas o pensamento na filhota e o apoio do time montado me permitiram fluir de novo.

Travei também quando percebi que chegava a hora do círculo de fogo, pois a dor que viria já se anunciava. Até entender que, novamente, deveria fluir, e que tudo dependia da minha entrega. Chamei pela Penélope novamente e as coisas aconteceram.

Lembro da Elisa compreendendo minha dor, sem dizer coisas como "já passou, já passou", mas sim permissivas, que me permitiam o grito, o choro. Parece técnica psicológica simples, mas tinha poder grande de me acalmar. Lembro de como eu me apoiava nela com força. Da Juliana checando os batimentos da Penny e sendo muito sincera e positiva sobre o avanço do trabalho de parto. Da minha mãe preocupada, mas forte e prestativa. Do Victor me segurando firme, por trás da banqueta, me apoiando até o final, o que rendeu a ele uma bela dor de coluna. Lembro de ter ouvido seu choro forte quando sua filha saiu de mim. Lembro de ter dado a luz na banqueta, de cócoras. Lembro da obstetra  Juliana sentada no chão, tentando segurar a Penny pra que ela não caísse nele.

A dor foi embora assim que pari, e eu não entendi. Acho que fiquei um pouco em choque, na minha cabeça lembro de ter ouvido um silêncio interno grande. O único barulho era o do nascimento dela. Não esqueço do barulho dela saindo. Do círculo de fogo, da ardência até o alívio imediato, molhado, melecado, expelido. O barulho do expulsivo. Não esqueço. Barulho do alívio. Barulho da Penny. 

Flashes. Lembro de flashes.

Ela nasceu às 1h27am. Lembro que minha mãe a entregou pra mim. Ela chegou aos meus braços e a luz a tornava um pouco azul. Eu já a conhecia, pensei. Ela veio perfeita e grande (49 cm e 3,275 quilos). Eu a chamei de filha e reconheci seus traços peruanos/japoneses, com os olhinhos puxados do Victor. Me preocupei pois ela chorava rouco e temi que algo bloqueasse seu ar.

Foto de Elisa Lorena Doula
Eu estava calma, me sentindo aérea. Eu tremi por um bom tempo. Ela não conseguia sugar o peito ainda. Passei um batom, tirei umas fotos tentando divar, but not.

Depois de um tempo namorando Penélope, Victor cortou o cordão. Nos levaram pra uma maca, onde pari e nos despedimos da placenta.

Eu, Penny, Victor e minha mãe fomos juntos pro quarto, tomei um banho, comi, e dormi com ela ao meu ladinho, chupetando meu peito direito, e foi a melhor sensação do mundo.

Há quem não acredite, mas eu queria voltar àquele momento de novo. Passaria de novo por tudo pra sentir tudo aquilo de novo.

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#A escolha de parir

Encontrar um obstetra que faça um parto normal, pelo plano de saúde, em Brasília, foi papo descartado logo no início. Só lidei com quem me olhava torto por querer um parto onde eu fosse a protagonista. E ainda encontrei quem mandasse eu me livrar dos meus gatos durante a gravidez.

Mas não quebrei muito a cabeça. Tive a sorte de ter algumas queridas na manga já na militância pelo parto humanizado, e elas me encheram de informações. Entre elas, Bia Girafa, da Livre Maternagem, e a Joo. Acabei não contratando nenhuma equipe de PD indicada por elas, não me sentia preparada financeiramente (ou psicologicamente) pra um parto domiciliar. Também não estava totalmente tranquila em fazer o parto na Casa de Parto São Sebastião, com todas as condições que ela exigia. Mas continuei a busca por um parto humanizado, até que recebi indicação da Juliana Costa Rezende, que atendia na Maternidade Brasília. Foi indicação de uma amiga, também grávida na época, a querida Natália Carvalho.

Agora eu precisava de uma doula. E encontrei a Elisa.

Aproveitei as dicas de livros da Bia, me enchi de informações do blog da Adele e em tantos outros sites, visitei a roda de apoio às grávidas do HUB, fui a alguns encontros na Nossa Casa, que me enchiam de força e certeza de que estava no caminho certo, e foi isso aí.

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#Agradecimentos

Vale falar sobre minha obstetra, Juliana Costa, que me atendeu durante todo o pré-natal com cuidado, alegria, e competência. Atendeu a todos os meus whatsapps ansiosos. Me preparou com firmeza e seriedade pra ter um parto natural sem complicações, já que era a minha escolha. Respeitou todas as demais, inclusive meu plano de parto. Foi até o final comigo. Pra sempre vamos lembrar. <3

Da Elisa Lorena também preciso falar. Doula mais que competente, firme e humana. Durante o parto, me entendeu, me acolheu, me fortaleceu. Antes dele, me tirou várias dúvidas, tentou me acompanhar como pôde e inclusive me ajudou, com exercícios, a virar Penny, que estava pélvica às 34 semanas de gestação. Meus agradecimentos eternos. Que possamos tomar muito suco de maracujá em breve, juntas.

Minha mãe: não achei que eu fosse me sentir à vontade com ela me vendo gritar de dor. Mas me senti. E me senti cuidada, me senti em casa. Com ela lá, me senti filha. Pra logo me transformar mãe. Sei que ela também viveu uma grande experiência nesse dia, o dia em que se tornou avó, o dia em que viu sua filha se tornar mãe em um momento tão bonito, cheio de respeito. Sei que sempre lembraremos desse momento juntas, virou uma coisa nossa.

Meu peruano: por cada palavra de suporte e apoio emocional, meu muito obrigada. Por ter emprestado suas costas, mãos e voz para me apoiar. Por ter feito o que pôde por mim, e por ter tornado aquele um momento quentinho e cheio de amor. Por ter recebido nossa filha com aquele choro de criança mais forte que o dela, emocionando a todos e a mim.

Taí meu registro pra posteridade.

sexta-feira, 6 de março de 2015

#vempenny

Foto de Jacqueline Lisboa
E por aqui vou me despedindo da gravidez de Penélope. Os nove meses chegaram e ela pode nascer a qualquer momento. Pois é, pois é. Quietinha do meu quarto, já cheia de sono e lenta como um pequeno pato-elefante, me lembro da quantidade de fases atravessadas até aqui, nesses 9 meses, hoje visualizadas em ângulo aberto. Elas me oferecem certa nostalgia, caros.

Não sinto ainda todas as ansiedades do fim da gravidez. Nem com o parto, apesar de uma dor aguda ali e aqui, sinalizando que ela precisa sair de mim de alguma forma, por alguma via, daqui até o fim do mês. Ouch. ;)

Quero conhecê-la e me emociono ao pensar no momento em que verei a carinha dela.  Mas até topo ter mais umas semanas para terminar trabalhinhos, pedir licença com sensação maior de dever cumprido, responder alguns e-mails antigos e... dormir.

Nas horas vagas, fico “retrospectando” tudo. Lembrando do primeiro trimestre, cheio de medinhos, ansiedade, enjoos sensacionais e reclamações bem descritas aqui e aqui. Refletindo sobre entrar no segundo trimestre, já cheia de esperança, com os enjoos assumindo papel coadjuvante, fato que sinalizava que a leveza viria e eu voltaria “ao normal”.

Nunca mais voltei ao normal, é claro. Engravidar é um caminho with-no-turning-back-point, e quem passa pelo "gestar" sabe bem da mutação, fisiológica e psicológica, pela qual passamos rapidamente. A vida bate aquilo tudo no liquidificar e dá pra você engolir. É bem assim. Muito louco, cheio de informação, absolutamente insano e diariamente incrível  se a mulher estiver em um contexto de acolhimento e de "querer", o que acabou sendo o meu caso.

O segundo trimestre foi momento de ser muito mimada. Momento de curtir a energia que ressurgiu pra cuidar do trabalho, organizar a casa pra receber a baby, voltar a ter energia para sair com amigos, mesmo mais reclusa, em geral. Momento de ver minhas prioridades ganharem outro rumo automaticamente, assim como muito do que eu pensava da vidona até aqui, simples assim.

Foi uma época de tranquilidade e choro fácil, sem motivos, só emoção. Eu, tão acelerada e ansiosa sempre, visitava muito esse outro universo, onde, pela baby, eu precisaria assumir um pouco mais meu lado silencioso e fazer um ambiente delicinha pra ela viver dentro de mim. Consegui, na maior parte do tempo, não prever, não adiantar e me permitir pensar só o hoje.

Leio disso que Penélope veio no momento certo, me resgatando de alguma loucura e ritmos acelerados demais de vida, e serei eternamente grata a ela por esse tempo. Êta, meses bons.

Pra que eu me sentisse assim, é claro, tive um quê de sorte também. Sorte de ter um companheiro parceiro, com quem pude dividir todo o paranauê dessa história. Sorte de ter uma família que a recebe desde o início com toda a felicidade e energia do universo, e que me apoia e já a ama mais que tudo. Sorte de ter sido bem acolhida em âmbito profissional, e tratada com toda a sensibilidade que se espera de um no século XXI. Sorte de ter amigos mais que incríveis que me cuidaram e aliviaram tanto durante toda a gestação.

Foi tudo fluído e calmo, em algum momento disso tudo. Pra fechar o segundo trimestre, a cereja do bolo: energia pra visitar o Peru, lugar que fará parte do que ela é e a encherá de referências culturais tão diversas como as do Brasil.

Dar uma passada no Chile, me despedir das mochilas por algum tempo, voltar e tocar a reforma da casa, preparar o quartinho, ver as roupas dela lavadinhas penduradas no varal da vovó com cheirinho de bebê. Ai, que gostoso! 

Gente, tou em motherland. Vesti a mama, fui possuída. Agora, não há medo, não há nada, só a clichê vontade de segurá-la, cheirá-la, cuidá-la, e buscar guia-la para ser uma pessoinha gente boa, que venha ao mundo para trazer sentimentos bons por onde passar. E rezando para que o universo a trate bem também.

Ganhei o terceiro trimestre, ganhei mais sono, mais peso, mais cansaço, mais idas ao banheiro e mais dificuldades para dormir. Há dois durmo sentada num clã de travesseiros estrategicamente postados por meu marido durante as madrugadas difíceis. Como ele é gentil. <3

E sigo.
Sentirei falta disso.

Mas... #vempenny. <3
Agora é que a coisa começa. Vem virar meu mundo de ponta cabeça!