terça-feira, 26 de março de 2013

A boia


Muitas vezes me pego pensando nas coisas todas. Nas minhas coisas todas, sabe. Nas dele também. Ao mesmo tempo, assim, tentando amarrar as coisas. Aí percebi que é de novo a ansiedade, aquela bitch.

Tem me visitado bastante recentemente.

Eu tinha um blog onde costumava me descrever assim: “simplifique”. É claro que o impositivo solitário inserido ali não configurava uma descrição da minha pessoa, eu deveria saber. Mas esta era uma palavra estratégica e estava posicionada ali para que, com sorte, eu parecesse ao mundo – ou a mim mesma – como alguém dotada de calma. E, parecendo ser calma, talvez eu pudesse – um dia bem próximo, eu imaginava – ser.

Eu, que havia sido muito estabanada até ali, teria a chance de, enfim, assumir uma outra história, sendo coerente com aquilo que eu expunha previamente. Não teria volta. “Simplifique”.

Pois bem. Impus à minha própria descrição tal palavra com antecipação, e logo em seguida fui presenteada com os cinco anos mais loucos e complicados da minha vida, que desconstruíram tudo o que eu sabia sobre o que era simplificar ou “ser”. Do verbo to be.

Eu tinha sido jogada no oceano índico (embora fontes diferentes e seguras sugestionem que eu mesma concorri para o nado forçado) e a corrente estava forte, mas eu insistia em dar braçadas desesperadas contra ela, na tentativa de não me afogar ou de achar um porto - nunca descobri ao certo se A, ou B, ou os dois.

Depois, quando percebi que estava fora do meu controle, desisti e boiei. Quando boiei, dormi. Acordei com a boca seca e o nariz sangrando numa ilha grega e fui enviada via satélite pra casa.

De volta a terrenos mais firmes, tirei como lição que eu deveria aprender a boiar mais.

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Às vezes, esqueço.

Meu peruano bem sente isso. Agora que entramos na segunda etapa da nossa luta para ficarmos juntos e vencermos a distância, fico nervosa e 100% mais antenada às diversas possibilidades que ele e eu temos aqui no Brasil. Ele chegou, mas tudo tem 50% de chance de sim, 50% de não. Cruel, a constante. Invade-se de alegria quando algo simples e bom acontece. Afoga-se em pensamentos apreensivos quando algo dá errado. Até tento comprar uma boia,  mas logo ela fura e eu lembro que poderia ter usado meus próprios pulmões. Dãããã.

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Sabe, vários casais brigam por diversos motivos, entre eles, aqueles advindos da rotina. O peruano e eu mal brigamos, pois estamos sempre ocupados em não sermos separados, para termos o direito e a possibilidade, um dia, de cair nessa rotina. E foram tantos os desafios vencidos até aqui, que, quando me tiram um pouco daquilo que pode completar um cenário ainda melhor, eu fico brava. Fico brava, e às vezes dou braçadas, tentando não me afogar no medo de perdê-lo pra distância de novo se em um mês não acontecer isso ou em quatro não acontecer aquilo. 

Mas, logo depois, vem ele, me lembrar: boia, Pree. Boia.
<3

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