quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Fala-se Spanglish


Eu tenho um namorado peruano. Você sabe, do tipo que nasceu no Perú. Nos conhecemos através de um projeto chamado Couch Surfing, onde, basicamente, mochileiros se hospedam na casa de pessoas como eu, que recebem mochileiros.

Eu não sabia falar espanhol, ele tão pouco sabia falar português. E, para aqueles que pensam que são línguas parecidas, é verdade: elas são. Mas, para dois recém-namorados que precisavam desesperadamente verbalizar personalidades atraentes na tentativa da conquista e do êxito do acasalamento, as línguas-mãe e seus falsos cognatos não funcionavam.

Foi então que tornamos o inglês a língua oficial do casal – algo que, pela frequência, tornou complicado o retorno às nossas línguas-mãe.  Um ano e meio de inglês nos deixaram confusos e o mundo latino foi ficando impaciente.

Os hippies diziam que deveríamos ser contra a utilização do inglês, e que tínhamos o poder de ajudar o mundo a oficializar o portunhol. As famílias nos olhavam frustradas, já que a comunicação só era possível através da chata e inconveniente tradução instantânea.  

Com os amigos, mais fácil, vá. A maioria sabe falar inglês, tanto no Peru, como no Brasil. Agora adicione 20 pessoas brasileiras falando rápido em uma mesa com apenas um peruano (ou vice-versa) e descubra qual língua predomina e o que acontece com o coitado do sujeito que não está entendendo (adicione aqui um palavrão) nenhuma.

Pois bem. Um dia decidimos que, além de voltarmos a falar nossas línguas-mãe, cada um, teríamos também que nos entender, simples assim. Iniciei um curso de espanhol. Ele de português. Ambos tivemos que desistir poucos meses depois. Primeiro round.

Depois disso, instituímos que, já que não estávamos mais tomando aulas, deveríamos nos ensinar. Eu escreveria e-mails em português e ele, em espanhol. A coisa ainda não funciona tão bem, porque... esquecemos, simples assim. Flui, e, a cada dez e-mails, sete vão em inglês.

Mas pessoalmente é mais interessante. Nos pegamos falando coisas como: “we’ll  llegar at home y nosotros will make a nice pasta, ok, bebê?”. As pessoas look at us confusas. Mas penso que this is un avanço, não é mesmo, pessoal?

2 comentários:

  1. Tem tanta gente que fala a mesma lingua e não se comunica... vcs não tem do que reclamar :)

    Hamithat

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  2. hahaha, adorei o post, amiga. é bem isso mesmo a relação de vcs e as cobranças de todos em volta. quando os senhores realmente estiverem morando juntos... vão ver que a coisa vai... melhorar de um jeito complicado e único, só de vcs.

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